Modelos Plus Size: aceitação dos tamanhos grandes ou apologia à obesidade?

modelos XXL

“Mandamos uma mensagem muito positiva, a qual deixa claro que a beleza não está restrita apenas a uma única medida para todas as mulheres”, disse a poderosa editora da seção de trajes de banho da revista Sports Illustrated. Foi assim que MJ Day se parabenizou pelo desfile de trajes de banho organizado por esta publicação na Austrália, o qual contou com mulheres de diferentes medidas, modelos plus size. Contudo, esse momento histórico para a revista atraiu mais debates do que apoio.

A moda tem diversificado seus padrões de beleza e, agora, saiu da magreza extrema para mostrar modelos acima do peso.

Uma jornalista do The Daily Telegraph acusou-os de “irresponsáveis” porque as modelos que desfilaram não foram apenas aquelas com manequim 40 e 42 (os mais comuns entre as mulheres), mas também algumas que usam entre 48 e 54. Estas seriam “representantes de um grande problema da sociedade”: a obesidade. Se as modelos extremamente magras foram vetadas em Paris, aquelas que estão acima do peso recomendado para uma vida saudável também deveriam ser, alegou a jornalista.

A comunidade médica concorda. A obesidade não é um problema estético e, sim, uma doença grave, que aumenta os riscos de enfermidades cardiovasculares, cerebrais ou digestivas. De acordo com a explicação da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) em seu informativo Obesity Update 2017, um em cada dois adultos e uma em cada seis crianças no mundo é obesa ou sofre de obesidade. No Brasil, o problema está presente em 20% da população. Esses números continuarão a aumentar no futuro.

 

modelos plus size

Depois de anos com mulheres magras nas capas da Sports Illustrated, MJ Day também foi a responsável por escolher a modelo que está revolucionando as supostas medidas perfeitas, Ashley Graham. Embaixadora do tamanho 46, Graham quer acabar com o conceito de modelos plus size e apagar o estigma que marca as mulheres que não vestem 36. “Esta é a era do corpo”, diz a modelo. Hoje, o fat-shaming, ou ato de envergonhar e insultar uma pessoa em virtude de seu peso, é perseguido virtualmente.

Mas será que é necessário impor limites para cima e para baixo? Agora que a moda finalmente derrubou o tabu da magreza, isto poderia significar um retrocesso. O estigma do sobrepeso continua à flor da pele, principalmente porque qualquer tamanho acima de 40 ou 42 ainda é considerado plus size. Entretanto, os médicos advertem que a exibição de modelos com aparência não muito saudável pode estimular a celebração ou até a apologia à obesidade, como fez a Sports Illustrated em seu desfile. Isto pode ser tão perigoso quanto exibir modelos fumando na passarela, disse o presidente da associação de médicos da Austrália.

As defensoras da diversidade na beleza, como Ashley Graham ou a australiana Stefania Ferrario (a modelo tamanho 42 que foi a imagem da Fashion Week de Melbourne), pedem que as passarelas tenham a presença de mais mulheres que não representem os extremos ou modelos mais reais, “com variações de peso saudáveis”. No momento, passarelas e propagandas carecem destas mulheres.

 

Fonte:  https://elpais.com/elpais/2017/08/14/estilo/1502714330_833128.html

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